Desassossego, palavra que me define. Há sempre aqui uma ânsia, um turbilhão de ideias, planos, desejos... E por conta disso já achei, tantas e tantas vezes, que seria eternamente um ser angustiado, em uma infindável busca por algo inexistente.
Errei.
Não sei se foi a mudança astral, ou climática, sei que há algo em movimento, em transformação, em evolução?! Entrei no casulo, encapsulei-me, mergulhei no meu mundinho fechado - e autista. E tudo se acalmou aqui, desassossegadamente.
Resolvi dar tempo ao tempo, parei de correr desesperadamente atrás de coisas que fugiam de mim, e isso me trouxe uma clareza assustadora sobre quem eu sou, do que eu gosto e preciso para ser feliz. Vi que posso realizar mais coisas do que imaginava, que sentir medo faz parte do processo. Pisei no freio. Aceitei que eu não sou capaz de resolver todos os problemas da minha vida, pois muitos deles não dependem somente de mim. A conduta a seguir é cuidar da parte que me cabe e, positivamente, torcer para que tudo acabe bem - de um jeito ou de outro.
Pragmaticamente, eu não sei o que fazer quando as coisas dão certo, sobretudo quando se trata da minha vida não profissional. Eu sei muito bem ser a professora em eterna formação, a doutoranda, a estudante que sonha, mas tirando essa minha segunda pele, o que fica? Fica a versão fail de mim, aquela que convive, estranhamente bem, com relacionamentos falidos, amores não correspondidos, dedicação não retribuída, que faz tudo errado. Cansei disso. E o casulo acalmou, também, a minha solidão.
Tempo ao tempo. Aproveitar o que eu sou hoje, planejar realizações possíveis, que dependam somente de meu esforço. Cuidar de mim como eu gostaria de ser cuidada por outrem. É assim meu mundo encapsulado, com direito a tv por assinatura, vídeo game e desassossego. Não corro mais, e assim, a seu tempo, virá o momento em que, borboletarei, e alçarei voo para descobrir o que acontece quando tudo dá certo. Tempo...


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